quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010



Você vai vagarosamente descobrindo os códigos da vida
Os pisos secretos dessa imponente irrealidade
Vai tomando gosto por esquecer, por se deixar levar
Aos poucos a vida vai te parecer satisfatória, mesmo sem respostas
Você vai deitar, e antes de dormir vai chorar sem notar
Não se culpe, ser fraco é o símbolo maior desse tempo
Por que, afinal, você não pode mudar o mundo
Ou pode?

Everton Cinelli

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010




Olhei pra dentro hoje: vertigem moral.
Estúpido brilho nos olhos chorosos

... Novos dias estão vindo ae
Vamos mudar o mundo!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010



Olhe em volta
Mas não apenas hoje
Observe o quanto é observado
Note quantas vezes nada mudou
Dia após dia tentando se convencer
Um segundo, a tempestade
O cheiro do novo, do absurdo
Três folhas sobre a escrivaninha

Através da vida, indo pelas noites
Abstratas crenças, alimento podre
Mas ainda é simples, ainda é tudo
Espero ainda, sedento na escada

... Volte, volte das estrelas!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010





Tudo bem, eu bebo essa última lágrima
Mas na taça de seus anos juvenis
Ao custo de seus sorrisos infantis
Na singeleza das manhãs de primavera

... Foi meio estranho acordar
E sentir esse vazio novamente
De alguma forma hoje está mais vazio que ontem
... Perpétuo anjo da loucura
A música entrou pela casa
Era ainda cedo e tão tarde
Fui amargando a beleza dessa dor
Desenhando em nuvens as lágrimas do céu

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010



[Everton Cinelli]

Não havia voz naquela boca ressequida
Nem uma bela música pra um dia de verão
Não existiam muitos motivos nem necessidades
Pra que aqueles serenos olhos perdidos olhassem pro alto
Ela ia dirigindo ao luar, nas entranhas da noite-mãe
Com o ar cantando fora dos vidros
Era sua única amiga, era sua única irmã
Amargava as dores de forma solitária e fria
Abraçava o fruto de seu ventre maternal

Esse seu mundo em retalhos
Prostituído por ela mesma
... Foi se vendendo pra si
Atravessando os longos anos
Acreditou no amor
Acreditou na beleza da dor
Parecia que era mártir de sua própria redenção
Mas apenas criança, apenas sombra, morria

Morria sozinha, petrificada em seu silêncio eternal
Era fruto de suas próprias descrenças na vida
Intimamente amante da perda, amante condenada à escravidão
Sub-julgada, psicologicamente violentada
Moeda corrente de suas trapaças interiores
Vinho amargo da mesa onde servem seus sonhos infantis
Freguês de um tempo desgostoso
Amiga fiel dos dias de ilusões, dos dias perdidos

Vai adoecendo devagar, degustando essa vida escura
Desde suas células
Tudo tão insensato, imperdoavelmente nu
Sem iluminação, erudição ou elucidação
Sacrifício iníquo, são esses seus dias
Pó de estrelas, fagulhas do porvir
Ainda inocente, peca!
Ainda eterno, morre!

Voe, voe livre... O céu é teu!

sábado, 13 de fevereiro de 2010




Passantes... Pedintes... Pessoas... Almas... Nada!
No meio da multidão habita a mais profunda, silenciosa e mortal solidão
Hoje eu observei a quietude dessas aves sem céu, sem vento
Todas ao redor de si mesmas, mas não se protegendo, e sim fugindo dos outros
Amores que nascem no dia e somem na noite
Ódios que persistem, vão se alimentando dos espectros da dor
E todos estão assim, todos nós estamos assim: famintos!
Famintos por amizade, por carinho, por lealdade, por eternidade

Ao meu lado o menino chorava, ninguém escutava
Ele queria um boneco, a simples mecânica que liberta a imaginação
Mas é apenas uma criança, apenas uma partícula... Célula não-ativa
Na rua: são apenas meninos, são apenas sombras... Eles choram nosso sorriso
Silenciaram o pobre espírito, prostituíram os seus ideais
Não vai ser a comida, nem um agasalho, nem mesmo nosso dinheiro
Nada disso vai inserir luz na vida desses “malditos por definição”
E o que mais dói é que, aos poucos, isso começa a não fazer diferença

Ecoava na mente:

Vai viver sem depois?
Vai fingir que não viu?
Esquecer quem se foi?
Amargar os dias frios?
Vai cantar sem sentir?
Vai amar sem querer?
Vai plantar sementes sem vida e esperar morrer?

... Não! Não se deixe vencer!