sábado, 13 de fevereiro de 2010




Passantes... Pedintes... Pessoas... Almas... Nada!
No meio da multidão habita a mais profunda, silenciosa e mortal solidão
Hoje eu observei a quietude dessas aves sem céu, sem vento
Todas ao redor de si mesmas, mas não se protegendo, e sim fugindo dos outros
Amores que nascem no dia e somem na noite
Ódios que persistem, vão se alimentando dos espectros da dor
E todos estão assim, todos nós estamos assim: famintos!
Famintos por amizade, por carinho, por lealdade, por eternidade

Ao meu lado o menino chorava, ninguém escutava
Ele queria um boneco, a simples mecânica que liberta a imaginação
Mas é apenas uma criança, apenas uma partícula... Célula não-ativa
Na rua: são apenas meninos, são apenas sombras... Eles choram nosso sorriso
Silenciaram o pobre espírito, prostituíram os seus ideais
Não vai ser a comida, nem um agasalho, nem mesmo nosso dinheiro
Nada disso vai inserir luz na vida desses “malditos por definição”
E o que mais dói é que, aos poucos, isso começa a não fazer diferença

Ecoava na mente:

Vai viver sem depois?
Vai fingir que não viu?
Esquecer quem se foi?
Amargar os dias frios?
Vai cantar sem sentir?
Vai amar sem querer?
Vai plantar sementes sem vida e esperar morrer?

... Não! Não se deixe vencer!

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