quarta-feira, 16 de março de 2011

06-03-2011

... Então mais um dia começa, e parece que tudo recomeça, nessas esferas estranhas, onde a vida se encontra e desencontra. Mais um dia onde tudo pode ser o mesmo, e talvez ser o mesmo seja o mais recomendado, por que as mudanças vão sempre gerar novos "eus", e isso pode não ser o trato mais doce que você possa fazer com a vida.

Lentamente eu me sinto como que desgarrando de alguns grilhões do meu passado, que são tão presentes, até mais que meu futuro. Assim, como um recém-vitalizado, eu vou redescobrindo beleza na humanidade.

Não que isso signifique se entregar, nem tampouco se esvair, mas eu posso desvendar esses símbolos estranhos da minha alma.

Simulando um patamar não gravitacional eu prossigo atenuando a leveza da escolha, da liberdade da lágrima que corre livre pelos olhos do sonhador. Eu sei que você nunca mais vai ouvir meu coração bater, e nunca vai ouvir minha respiração acelerar quando seu simples toque me fornecia a chama devastadora, que alimenta a alma e o mundo todo, fazendo a totalidade se expandir pelos nossos corpos viventes, fazendo a vida transcender em essência. Sei que nunca mais vai ler a poesia do meu coração, sei que nunca mais vai me abraçar no frio e sei que talvez seja o melhor, se é que existe mesmo algum tipo de diferença entre a dor e a alegria.

Não sei por que os meus dias se resumem aos seus, ainda que eu não te veja ou sinta. Por que seus olhos de infinito e eternidade percorrem minhas lembranças e forjam elos tão fortes com dores por mim decretadas esquecidas. Na verdade eu buscava estar além dessas palavras distorcidas que pregam um amor que morre e nasce em cada badalar da madrugada.

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