terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Novo Deus!


[Everton Cinelli]

Eles chamaram a chuva essa noite
Clamavam como adoradores, mas só queriam a luz
Eles eram como bestas da escuridão
Seguindo o caminho esquecido, esquecendo o caminho da vida
Bebiam da fonte eterna
Mas semeavam a mortalidade frágil da crença
Eles queriam um deus
Então forjaram um, na chama "purificadora" da manipulação

As almas pareciam dançar
Soltas num campo silencioso, elas vagavam de ideal em ideal
Aprenderam a esvaziar-se de si mesmas
Então eram preenchidas com toda sorte de mentiras
Hoje olham o sol, olham as estrelas
Se sentem perdidas, se sentem amaldiçoadas
Mas estão apenas cheias demais do que não serve
E vazias demais do que realmente importa: uma vida pelo TODO

@evertoncinelli
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Menina dos Olhos de Luz




[Everton Cinelli]

Havia essa menina presa num mundo cercado por espinhos
Com olhos vivos, buscadores de esperança
Essa menina ainda corria em sonhos, e chorava sozinha
Os abraços se tornaram vazios, tudo se tornou vazio
Ela foi conhecendo um mundo numa natureza diferente
Sempre duelando com tudo o que sentia
Ela amargurava essa perda que culminava dentro da sua alma
E ainda machucava sua essência, destruía seu sorriso

Foi enchendo sua existência de “porquês”
E foi se entregando sem se entregar
Foi observando o mundo da margem
Sem muita vontade de mergulhar no abismo
Conheceu o amor sem ser amor
E amou sem ser amada
Mas havia sempre aquela luz dentro de sua alma
As flores esquecidas, mas que brotavam na primavera

É capaz de sentir a doce melodia
E ainda chora quando ninguém vê
Mas só os olhos dela enxergam seus lindos amanhãs
Repletos de significado, de lindas canções
Existe uma carta redigida no seu coração
Talvez pra ninguém ler, ou pra Deus, 
... Ou para aquele que ainda é vivo dentro dela
Aquele que ela ainda sente, aquele que ela ainda chama


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Mais Uma Gota de Mim




[ Everton Cinelli ]

Eu parei hoje em algum lugar desse mundo infectado
Percebendo os olhares, faces de uma rua qualquer
Eu senti vontade de gritar, ser mais forte
Eu queria ter lágrimas nesses olhos acostumados com a destruição
Você percebe que a vida passou quando, de tudo, só restou você mesmo
Quando você sorri e sente que a máscara pode cair a qualquer momento
Sabemos quando é hora de partir, por que não há um só lugar que seja nosso
Não há um só abraço que seja eterno, nem um só amor que seja tão sincero

E eu caí, e eu caí... Sabe-se lá aonde... Sabe-se lá por que
Essa desfigurada beleza, desprendida de mudanças
É uma vida tola, é uma vida rasa, e você sabe exatamente o que dizer
Esse é seu caminho, é uma escolha difícil pra qualquer um de nós
Eu já desisti de sofrer, de me debater, por que nada muda
Não existe um só passo do grande ciclo que vai ser alterado
E nós estamos aqui, esperando um grande amor, um remédio pra dor
Escrevendo canções pra uma manhã que nunca vai existir

Existe sempre um dia depois do final feliz
Mas sabe? Eu só consigo lembrar que tenho pra onde ir
Mesmo sabendo que o mundo é meu jardim
Eu só consigo querer um lar: o teu coração
Sinto que deixo partes minhas em todo lugar
E que meus olhos são o sol e eles são a lua
E te olham o tempo todo, iluminando sua distância
Mas ainda sinto o perfume, o cheiro do vazio

Eu vou perdendo o controle, por que tudo isso me assusta
Só consigo pensar em quantos dias passaram antes de você estar visível
E por que tudo na vida parece perder o sentido se não tiver as suas cores
Não o importa o quanto eu faça, nem o quão alto eu chegue
Por que, se você não for minha estrela, nunca haverá uma bela noite

@evetoncinelli
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▲ AeternA Infinite Rock ▲


GRAVAÇÃO DE BATERIA DO EP "RESISTA"!
EM BREVE NOVIDADES!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Act One – Son Of The Trees, Seed Of The Art...



(Everton Cinelli)

Ouça, vindo das profundezas, passos de eternidade
Sinta, vindo das profundezas, a sombra que transforma
A porta ao lado do sol e o menino que cantarola o infinito
Ele sente entre os dedos, escorrer a vida que tanto prezou
Sete vezes esses números cercaram sua mente
Ele busca, chora, se entrega... e dorme
Dança como anjo, que em chamas se esvai

Sangue!!! Dor!!! Inocência que se perde!!!
Sangue!!! Concuspiciência!!! Interdimensionalidade!!!!
Nessa busca por mentiras verdadeiras, ou por verdades mentirosas
Nesse silencioso teatro de dor e abismo!!!!

São versos de velhos ritos, esses que despertam o amanhecer
Nesses rios de sangue, nesses rios de promessas mortas
Quem se vê em si mesmo? Quem se acha em tudo isso?
Onde puseram nossas esperanças, onde????
Calmamente a morte chama, ela tem a calma que inspira a divindade
Calmamente os anos passam e, na verdade, nada valeu a pena
Onde descobriram que temos medo?
Onde descobriram que humanos mentem?!!!!
Somos esses pequeninos pigmentos dessa pintura incógnita
Somos os insetos desse vale perdido
Somos o encantamento de algum aprendiz
Ou mesmo os versos de um profeta sem deus

Sangue!!! Dor!!! em rascunhos e tristezas 
Sangue!!! Dor!!! caindo dos traços, nascendo do silêncio
Novamente!!!!!!!!


Quem eu sou ou fui, quem serei... vou buscando!!!
Quem me guia ou desperta... nesses dias de imensidão
Como diz a velha canção? O que dizem seus antepassados?
Tomaram nosso mundo emprestado, e nunca mais devolveram sua beleza
Não ouviram o choro e o pranto das árvores
O murmúrio das águas, que conheceram o começo de tudo
Então vem a chuva
Doce, como o vento afável do início de tudo
Leve embora minhas lágrimas de incerteza
E me enterre nesse túmulo de estrelas
Nessa cova feita de cosmos, de olhos que enxergam o tudo
De vermes divinos, que dissolvem crença... de toda essa mentira
... Mentira!!!!!!

Assim, retomo a existência
Quase desperto desse sonho
Vejo-me fluindo de dentro de mim
Partindo numa viagem pra longe de tudo
E pra perto do meu coração, inutilizado, quebrado, mas vivo
Célula desse corpo inerte
Nuvem desse céu em cinzas
... Idiossincrasias...
Verbalizando essas asas do porvir...

Eu, filho das árvores, semente da arte... 
Planto nesse mundo a minha voz
Que ecoe por toda a eternidade
Esse grito silencioso, esse brado sufocado
Mas que as ondas dessa virtude me façam rei
No meu mundo de silêncio...

HOJE!




[ Everton Cinelli ]

HOJE O DIA SE FAZ PRA MIM COMO UMA MELODIA QUE PERDI EM ALGUM VALE DA IMENSIDÃO DA MINHA MENTE... 
COMO PODEMOS REFAZER O ELO, COMO PODEMOS CINGIR NOSSO HORIZONTE DE CORES REAIS? 

SÃO DOCES PORÉM INGRATOS FRUTOS, ESSES DIAS DE SOLIDÃO. 
REFAÇO MINHA ARTE, RECRIO MINHA CRIAÇÃO, COMO INOCENTE CANÇÃO ME PONHO A VOAR 
QUERIA PODER TE ABRAÇAR, MAS PRECISARIA TE RECONHECER... 
SE TEUS OLHOS ME DESCOBRISSEM, SE TUA BOCA PRONUNCIASSE MEU NOME, MAS ESTÁ TÃO LONGE, AQUI DO MEU LADO... 

É TÃO SIMPLES DIZER ADEUS, MAS TÃO DIFICIL SUPORTAR O FIM DO QUE NÃO COMEÇOU 
ASSIM, UMA DOCE TRENODIA... ELEGIA... QUE MAL FARIA?

SE ME EMPRESTASSE SUA MÁSCARA DE ANJO 
- SER QUE CORRE EM SI COMO SANGUE -
SE ME DOASSE SUAS CORES DE AMANHECER 
EU FARIA APARECER ESSA LUZ, QUE INEBRIA SUA VIDA 

O QUE SERÁ QUE ME TORNAREI SE TENTAR SER QUEM SOU? 
O QUE DIRIA O CRIADOR DISSO TUDO SE VISSE A SUA CRIA, PASSEANDO PELOS RETRATOS DESSA ENTROPIA? 

O QUE ME DIRIA?
SE ME PERGUNTASSE QUEM SOU, EU RESPONDERIA: 

- SE MEUS OLHOS NÃO PUDEREM TE RESPONDER, EU TAMBÉM NÃO SEI O QUE FAÇO AQUI!!! 

Dor Fractal



 [ Everton Cinelli ]

Hoje eu estou aqui, sentado no meio-fio
Preso a certas dores, sangrando incessantemente
Isso não é sobre ser feliz ou ser melhor
Trata-se das escolhas e da falta de certas pessoas
Eu vivo remoendo certas perdas
E sempre me pergunto por que não pôde ser diferente
Por que precisou ser tão doloroso
Isso me vence diariamente, por que você está sempre aqui

Fui me entregando a uma vida que não era minha
Levantando uma bandeira de cores estranhas
Pregando uma verdade que não era minha
Por um sorriso seu, eu perdi toda a minha vida
Eu acordava nos braços de uma manhã morna
Adornada pelas belas curvas do seu corpo
Extasiado pela demente felicidade que me gerava ser assim, seu
Morto numa vida que colhia superficialidades

E era tão real, era tão doloroso
Saudades que só pertenciam a um conto antigo
Mas a invariável vontade de partir sempre batia
Na cama o teu corpo quente ao meu lado
Na vida tua alma desgraçando a minha criatividade
E eu me perdia tão inocente nos teus predicados
Cheguei a trair a mim mesmo em corpo e alma
Traindo a idéia dessa felicidade fractal que se diluía após cada dor

Então um dia o adeus chega
Sem perguntar se estamos preparados
Eu me sentei na sua calçada, esperando a porta reabrir
Anoiteceu e eu ainda estava lá, decidindo se era a hora de morrer
... E morri! E morro! Cada dia mais
As areias foram cobrindo cada marca sua em minha vida
Mas o teu cheiro persiste correndo na brisa doce da tarde
Quando, quando tudo perdeu o sentido? 

... Se é que existe um sentido!

@evertoncinelli

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Princesa de Marfim


[E.cinelli]

Uma doce chuva, ainda no rosto marcado
Uma gota de sinceridade esvaiu pelos olhos
Ela amou de verdade, no início de sua inocência
Ela amou por um todo, renunciou a si mesma
Agora chora uma dor que não causou
Sente a vida escapando-lhe pelas mãos
Sentenciou-se a viver nesse passado
Rejeitando o presente, renunciando seus belos amanhãs

Viu a vida lhe ser roubada por dentro
E agora reina solitária em suas mornas manhãs
Agarra-se ao que acredita curar seu remorso
O remorso de quem olha nos olhos do sol e acredita na vida

Sua coroa é sua angústia, seu amor é seu mar, sua casa... sua ferida


Adeus


Adeus...
05/06/09
[Everton Cinelli]

A areia era firme, tanto quanto a despedida
Era feita de lembranças fortes, de luz e lamento
O menino que havia escondido no peito agora era homem
Marcado, acostumado a sorrir sem ser feliz
Foi isso que aprendeu: o amor é uma simples dor!
Assim viveu, sem saber se tudo era real
Como criador da reinvenção, recriou a si mesmo
Um boneco sem vida, num playground escuro

Brincou com os símbolos da vida antiga
Nos seios da Terra-mãe chorou suas angústias
Era filho do sol, vestido de mar e ventania
Mas apenas uma simples fagulha, um ponto perdido

Ele sorria, frente ao espelho chorava
Precisava de algo mais que o silêncio
Se alimentava de esperança e felicidade
Os sorrisos dos outros era sua oferenda

... Foi simples dizer adeus ... Pra si mesmo


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Rockin' The World!


Os soldados de papel já se levantaram hoje? As almas algemadas já fingiram ser livres hoje?
AHHH!  A morte abraça a vida dos auto-intitulados "heróis", dos caçadores alados que permeiam esses céus de verdade desmedida.
A experiência humana com a vida não passa de um estágio semi-quase-nada-consciente de um lapso com o existente-inexistente ciclo fundador da virtualidade como obra material da própria vida!
Eles (os do outro lado) se vestem de amanhã, usam luzes de mentira, esfaquearam o coração do sol, eles mentiram pra doce criancinha que girava sobre si mesma na ponta da via-láctea. Mas não podem matar a resistência, não podem evitar o caos vindouro!
Os cães!! Os cães estão soltos, ladrando contra a religiosidade mistificada, que lubrifica os genitais da mente... Incoerente? Lamente! É surpreendente o quanto podemos ser cínicos e sigilosos com nosso próprio descaso, nossa prostituição velada nesse traje feio, empoeirado, chamado SOCIEDADE! Ahhhh Blasfêmia!! Deus morreu antes mesmo de nascer!
Quem foi que te disse isso tudo? Quem foi que disse que você sente? O que você sabe? Existe um inferno? Então junte-se a todos nós!!!

Havia um lugar preso às suas poesias
Um sinal diferente entre seus olhos supremos
Quando, tão suave criava o mundo,
Esse ser chorava como que para aliviar sua alegria
Passeava aturdido pela Terra
Semeando fim, semeando dor, porque era tudo,
Tudo o que era, tudo o que tinha

Era sua criança, era sua música
Era sua aliança com o tempo
Era sua amargura, tudo que não era seu
Mas era seu... Era todo seu!

Vamos! Não se atrasem para o encontro com suas próprias vidas, logo elas se cansam e abandonam o espaço/tempo. (Everton Cinelli)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ode A Verdade





Por todas as vezes que choramos
Por todas as vezes que sangramos
Por cada dia que levou nosso melhor
Por cada sorriso que forçamos pela poesia do dia
Por cada dia de sol que não aqueceu nossas almas
Por toda gota de lágrima por perdas significativas
Por todo ouro do nosso coração que demos a quem não mereceu
Pela simples insuficiência da probabilidade


Num tipo de entrega, a vida foi perdendo a graça
A cada dia, observando você de perto, triste melodia
Em cada parte do fim, os retalhos do começo
Na hora de despertar, perdeu seu trem
Não se comova, por que hoje é um dia como todos os outros
Nada na sua graça ou desgraça fere o grande ciclo
O perturbador e infindável caminho pro abismo de luz e sombras
Por que você era só um menininho desajeitado quando aprendeu a estar só
Quando a solidão te beijava a face no meio de todos
Uma espécie de grito, dado entre as nações
Que estremecia os céus, mas que não chegava aos seus
Hoje é tarde, já esqueceram a poesia, mataram a alegria da triste menina
E por que deveria ser diferente?
Já não há inocentes faz muito tempo
Por que desacreditaram da verdade, se é que é esse o nome
Foram assediando a pureza, até que violentaram toda a esperança
Tomaram seu frágil corpo e a lançaram numa rua deserta, fria
Lá, foi adoecendo e suas vísceras foram ficando escuras, mortas


Nesse dia como todos os outros
Em um poema como todos os outros
Em uma dor como todas as outras
Sem redenção, por que não existe culpa!


... Sem redenção, por que não existe culpa! (Everton Cinelli)

Macro-cósmica-criança



Onde você estava quando nem mesmo era?
Quando suspirava sem precisar do vento
Como uma criança correndo nas trevas
Não se sabe se feita lá ou se feita de si mesmo
Quem tu és?
Quem tu foste?
Macro-cósmica-criança
Quando chorou?
Quando se perdeu?
Quem te achou?
Quantas vezes você morreu até decidir não morrer mais?
Quem te abraçou?
Quem te entendeu?


... Era só uma dança cheia de mistérios
Cada cor, símbolo, cada nota!
Abraço tua angústia, torne-a minha
Leve-me em tuas caminhadas pelo teu jardim multi-universal


Pelos mundos de marfim, nos mundos sem altura, sem largura
Me leve por onde a vida tem sentidos puros
Me leve na sala dos “criadores”
Além dos muros da liberdade
Eu quero tocar a atemporalidade
E beber da juventude que rega teus planos
E tocar aquela canção que move todos os seres
Em todos os mundos da existência


A hora da chegada está próxima
O novo sol, tão antigo quanto teus olhos, brilhará
Logo estaremos perto, e tão longe
Se me permite um pedido: dance, dance sobre as estrelas
Nos túmulos do cosmo, descansa toda a história
Revele-me teus símbolos e códigos infinitos
Sou apenas o produto do teu ventre eternal! (Everton Cinelli)

O Não-Amanhã



Era manhã ainda, na triste cidade esquecida. Aqui, na terra do abandono, pra onde seguem todas as lágrimas, todos os sonhos findados, todo sorriso que não nasceu, todo abraço não-dado, toda vida não-viva, cada adeus, cada dor, aqui nessa terra não tão distante, eu procuro algum elo, algum traço com essa vida que, ainda minha, nunca foi minha. Eu vou perscrutando o vago sabor de uma lembrança ainda recente, mas que me parece ser de uma vida antes da vida, plantada num canteiro de flores em tempos onde o tempo nada tinha de tempo e ainda havia tempo pra se esquecer do tempo. (Everton Cinelli)