segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


domingo, 5 de fevereiro de 2012

O Eido De Minh'alma



[Everton Cinelli]

Naturalmente, pensei, era como deveria ser
Suave, desliza pelos céus esse delicado caos
Tem rosto de chuva, canta trovões
Não muito longe daqui, a vida é ainda a mesma
Eu tive minhas escolhas, minhas chances
Errei, caí, vi extinguir minhas doces alegrias
Não significou muito chorar ou me contorcer
A cama não era o universo e meu medo não era o fim

Ainda criança cresci, ainda flor murchei
Na porta da escola a te esperar
O sinal soou, fim do dia, não há cor
Apenas um punhado de versos no bolso furado
Ali, sentado na calçada, observei pela primeira vez
Tudo ao meu redor, as pessoas, essas vidas díspares
Todas cheias de medo, com tanto em comum
Mas nem se quer se olhavam, nem se quer se importavam

De alguma forma isso sempre esteve aqui
Perambulando pela saliência de meus mundos
Perjurando amores eternos, dissimulando dores tão cruéis
Doces papéis desse treatralizar insano e entrópico
No eido de minha alma, num poço de lamento
Está seu adeus... Insólito, insidioso, pecaminoso
O meu mundo se tornou cinza, chuva eterna
Na balada desses dias mortos, morro vivendo

Descobri-me, duramente, fraco, frágil
Como uma porcelana, a um passo de quebrar
Sem amigos, sem destino, sem luz
Mas a solidão sempre me seduz
Eu não dormi, velei meus sonhos
Era o anjo sem asas do Éden
Meu jardim estava ameaçado pelas fagulhas da dor
Não podiam entrar em minha casa

Nem sei por que tão sinceramente, aqui, me entrego
Não machuca meu ego ser, assim, humano
Nessa manhã que meus olhos fechados não vêem
Eu ouço tua voz, nos recônditos mares de minha alma

Não há nada mais lá
Nada mais em você
... Eu percebo o canto dos pássaros
Sim... Ahhh... Novo dia!


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Outro De Mim




[Everton Cinelli]

De tanto dizer, as palavras me faltaram
Estava ali, frente ao novo mundo
Assistindo o fim de minha própria carne
Voando entre as janelas desse horizonte em púrpura
Eles amaram o quanto puderam, e dançavam
Entregue à sua sede por justiça, mataram
Morreram por não acreditarem de verdade
Eram apenas almas nascidas da dor

Ah... O violino quase gritava, agonizava esse fim
Era tudo pra mim, essa alma sem cor
Na sala vazia ela brincava como criança
E no meio da valsa do monstro, apenas a inércia
Fecham-se as portas do rito, assim sem ritmo
Os tambores silenciavam, no seio da floresta gentil
Eram humanos seus desejos, mas divinos seus clamores
Eram nuvem e prata, mel e seda!

Havia aquela canção que percorria seus lábios mortos
Havia aquele anjo que pensou ser Deus
Ainda ouvia-se a chuva caminhando em busca do novo
Trazendo a tempestade, trazendo a mudança

Não se acanhe alma, sinta-se como és: imortal!
Chore tudo que pode, possa tudo que chora
Acaso essa espada encravada em meu peito
Não te diz algo alem de sangue e fim?