quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Outro De Mim




[Everton Cinelli]

De tanto dizer, as palavras me faltaram
Estava ali, frente ao novo mundo
Assistindo o fim de minha própria carne
Voando entre as janelas desse horizonte em púrpura
Eles amaram o quanto puderam, e dançavam
Entregue à sua sede por justiça, mataram
Morreram por não acreditarem de verdade
Eram apenas almas nascidas da dor

Ah... O violino quase gritava, agonizava esse fim
Era tudo pra mim, essa alma sem cor
Na sala vazia ela brincava como criança
E no meio da valsa do monstro, apenas a inércia
Fecham-se as portas do rito, assim sem ritmo
Os tambores silenciavam, no seio da floresta gentil
Eram humanos seus desejos, mas divinos seus clamores
Eram nuvem e prata, mel e seda!

Havia aquela canção que percorria seus lábios mortos
Havia aquele anjo que pensou ser Deus
Ainda ouvia-se a chuva caminhando em busca do novo
Trazendo a tempestade, trazendo a mudança

Não se acanhe alma, sinta-se como és: imortal!
Chore tudo que pode, possa tudo que chora
Acaso essa espada encravada em meu peito
Não te diz algo alem de sangue e fim?


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