sábado, 28 de julho de 2012

O Demasiado Nada


O espelho reflete solidão
Uma imagem vazia, repleta de sombra e desolação
Mundos não-existenciais, moldados no vácuo
Ilusão e putrefação, apenas parte do caminho
O silencioso moribundo caminha pelas estreitas saliências
Buracos em sua alma, chagas na moralidade imbecil
Comprometeu-se com a eternidade e abraçou a morte
Gritou hexâmetros, caçou diagramas... Morreu ainda em vida

Ainda menino, homem se tornou
Ainda inocente, pecou e pecou
Cada sussurro da noite o abraçava
Cada curva de todo corpo... Febril, ele se alimentou 
Ele as viu tocar as estrelas, enquanto eram apenas parte dele também
E enquanto o universo era esse novo mundo, permeado de gozo e bestialidade
Cada célula sua era macrocosmos e imensidão
Ainda era noite, ainda era lindo, e os viajantes do passado dançavam no firmamento

A canção rasgava seu peito, mas fazia dele um deus
O mundo poderia ser recriado, triunfante o hierofonte levantou
Banhado nas riquezas dos estranhos-do-alto
Menino-estrela, caminhou pelo deserto ouvindo o tempo
E, de tempo em tempo, tempo não havia
Apenas esses olhos que viram o nada, que viram o que antecedeu o início
Sangue, sangue! Tiamat pediu a ele
Faça-se o novo, Faça-se a vida!




“E depois veio o dilúvio e após o dilúvio a realeza tornou a descer mais uma vez do céu...”
(Sumérios)



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia do Escritor



O que eu poderia dizer? 
Ler abriu os mundos dos mundos pra mim, me fez ser uma criança imaginativa, produtiva, me fez ser um adolescente de pensamentos fortes, e me tornou um adulto não meramente questionador, mas buscador de infinitos.
Eu nem sei expressar o quanto sou grato por esses garimpeiros da eternidade, esses homens e mulheres que desbravam o inimaginável, que trazem a realidade a própria realidade recriada.
A todos os deuses dos versos: Parabéns!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Os Breves Infinitos


 
Alguns segundos, e tudo, tudo pode mudar
Uma vida feita de detalhes, na grandeza de algumas palavras
A singeleza de um equivocado sorriso
O adeus de mãos trêmulas, o toque insensato e poderoso
O refrão marcante, as estrelas do céu ao norte
 Aquela brisa da tarde, o grito mudo da alma
A voz repetida, mas amada... A única música que danço
A lágrima amiga, que se despede dos olhos e encontra o solo

No rádio, ondas e mais ondas de mesmiçe
E eu aqui, pronto pra mudar o mundo, envelheço enquanto jovem
Revirando livros, bagunçando o espírito desse tempo
 Observando a arte que logra a pasmaceira criatividade
Um mundo que se tornou tolo demais pra felicidade
Que se tornou vazio demais, impróprio pra pureza
E, se uma folha, com algumas palavras escritas nela, fosse capaz de mudar tudo
Acho que a queimariam, porque o sabor da liberdade é azedo quando totalmente desconhecido

 
 
 

sábado, 21 de julho de 2012

O Exército-De-Um-Homem-Só


Eu vi todos eles, juntos na aurora
Desprendidos da dor, desgarrados da ausência
Eles são fortes, simples e honestos
Eles amam seus filhos, eles oram aos seus deuses
Eles choram pelas criancinhas da África
Tem tanto respeito pelos animais
... Mas são tão irreais
Nossos heróis virtuais, os santos-sem-rosto

Essas ruas, desertas de vida... Desertas de sonhos
Nada mais que irradiação de protoplasma verbal desnecessário
Insultos ao que é puro e tão essencial
Músicas com acordes de mentira
Eles cantam mentiras! Vendem a alma, e menosprezam a beleza!

Mas as montanhas ainda conhecem os guerreiros
Falam seus nomes ao vento, e ele leva pelos mundos
As árvores conhecem seus rostos, as águas correram em seus corpos
Ninguém pode enganar os olhos do sol, ninguém pode mentir diante das estrelas do início
 E eu apenas espero, aliás, luto pra que, um dia, saibamos o que vale a luta... Pelo que vale a pena levantar todos os dias, e respirar...



domingo, 15 de julho de 2012

Domingo...


"Um dia comum... Mais um dia comum
As palavras certas já foram desperdiçadas
Eu mergulho numa espécie de périplo dentro de mim
Caindo, ou pairando, quem sabe apenas imaginando...
A vigência da minha alma expirou... Não existem sorrisos mais
As imagens, as pessoas, as razões, os caminhos... Tudo se desfez" 
(Everton Cinelli)

Saturnia | Africa Ways




Everton Cinelli's Saturnia
All Programming: Everton Cinelli

Saturnia | The Speech Of Freedom




Everton Cinelli's Saturnia
All Programming: Everton Cinelli
Discurso de Charles Chaplin abaixo seguido de tradução:

O DISCURSO FINAL DE “O GRANDE DITADOR” DE CHARLES CHAPLIN

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de
ajudar a todos - se possível - judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio.
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há
espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas
necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça
envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito
marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade,
mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos
deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência,
emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas,
precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem
essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um
apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos
nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora...
milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura
seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não
é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço
do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o
poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a
liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam...
que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos
sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação
regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão!
Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não
odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem
- não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o
povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo,
tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto
- em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um
mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à
mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não
cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o
povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância,
ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o
progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos"