sábado, 28 de julho de 2012

O Demasiado Nada


O espelho reflete solidão
Uma imagem vazia, repleta de sombra e desolação
Mundos não-existenciais, moldados no vácuo
Ilusão e putrefação, apenas parte do caminho
O silencioso moribundo caminha pelas estreitas saliências
Buracos em sua alma, chagas na moralidade imbecil
Comprometeu-se com a eternidade e abraçou a morte
Gritou hexâmetros, caçou diagramas... Morreu ainda em vida

Ainda menino, homem se tornou
Ainda inocente, pecou e pecou
Cada sussurro da noite o abraçava
Cada curva de todo corpo... Febril, ele se alimentou 
Ele as viu tocar as estrelas, enquanto eram apenas parte dele também
E enquanto o universo era esse novo mundo, permeado de gozo e bestialidade
Cada célula sua era macrocosmos e imensidão
Ainda era noite, ainda era lindo, e os viajantes do passado dançavam no firmamento

A canção rasgava seu peito, mas fazia dele um deus
O mundo poderia ser recriado, triunfante o hierofonte levantou
Banhado nas riquezas dos estranhos-do-alto
Menino-estrela, caminhou pelo deserto ouvindo o tempo
E, de tempo em tempo, tempo não havia
Apenas esses olhos que viram o nada, que viram o que antecedeu o início
Sangue, sangue! Tiamat pediu a ele
Faça-se o novo, Faça-se a vida!




“E depois veio o dilúvio e após o dilúvio a realeza tornou a descer mais uma vez do céu...”
(Sumérios)



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