sexta-feira, 12 de outubro de 2012

EXCENLENTÍSSIMA PERDA



"Hoje eu estou aqui, mais uma vez sentado diante do quadro
Quem é aquele ali? Ah... Sou eu andando, sem rumo, sou eu caindo...
É uma vida cheia de vazios, uma estreita saliência de erros, de mágoas
Os deuses que inventamos nos vomitaram hoje, como sempre
Sujos de pecado, aquiescentes carregadores de culpa
Nós prosseguimos numa espécie de rito, de sacrifício
Somos nós, os baluartes da grande decadência
Defensores da tragédia como alimento do heroísmo

A flor está murchando, mas quem pode matar a si mesmo?
Quando alguma escolha é realmente nossa?
Quem teceu o fio esqueceu de esquecer
O que é meu? O que “é”, num mundo imaginado?
Vai me abraçar hoje? Deixe-me dizer que não estou pedindo pra ficar
Deixe-me sonhar, livre de certos grilhões invisíveis, que me prendem a isso aqui
Você dorme sob as estrelas, adornada por abstratas canções
Tudo a sua volta é podre, morto e desfigurado... Excelentíssima perda!

Mas os filhos dos filhos ainda nascem, e poluem a vida
E as filhas das filhas ainda choram, e vendem o ventre
Por que, afinal de contas, quem vai abraçar o vento?
Quem vai deixar de sentir quando sentir não significa ter o que sentir?

... Quem pode rejeitar uma mentira que nasce de uma verdade?
... Quem pode aceitar uma verdade que é uma mentira?"

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