sábado, 15 de junho de 2013

Um discurso frente a chuva...

"Parece que o mundo mudou
Tanta gente aceitou, que parecia o certo
Mentiram tantas vezes, que a verdade agora é falsa
Ergueram no alto o símbolo da destruição
É feito de cifrão em cifrão
Rejeita o coração, mas a adorna a redenção
Então todos nós, do inocente ao incoerente, estamos marcados
Fadados ao cinismo, a falsa pretensão de revolução
O que eu posso fazer, além de tocar mais uma linda canção?
O que eu deveria dizer quando o adeus é apenas uma distração?
Me perdoe por amar como amo
Me perdoe por gostar do som da chuva
Por rejeitar essas frases feitas
Por querer correr sabe-se lá pra onde...
Todos, todos estamos na escuridão
Mas alguns de nós miram as estrelas
Com olhos determinados, buscadores
Alguns de nós se importam com o generalizado
Que seja um rito, que seja um grito
Por que a minha alma apenas sangra, alimentando ruas vazias
E, quem diria, aqui estamos nós... Tão sós
Reunidos em solidões... Nos abraçando via web
Estamos amando por chat, definhando inbox
São esses nós que machucam o espírito
... Eu apenas sento na minha varanda
Diante de uma terra estranha
Com um copo de vinho, algumas paginas velhas
Um velho disco e seu som, dançando na esfera da vida
Espero companhia pra essa tarde, sente-se aqui
Vamos sorrir sem motivo, apenas hoje esquecer as contas e os contos
Dane-se a demagogia: um dia tudo isso vai acabar
... Então: Junte-se a mim..."


Everton Cinelli