segunda-feira, 25 de abril de 2016

Já Parou Para Pensar Se...



(EVERTON CINELLI)


Já imaginou quantas partes do céu estamos deixando de ver?
Formas perfeitamente imperfeitas de montanhas e vales
Texturas de solos, sorrisos e vozes
Tanta coisa que deixamos de sentir, porque o aluguel está para vencer
Corremos o máximo que podemos, mas sempre estamos atrasados
Sempre perdemos um detalhe, um lance que só o tempo nos mostraria
Lemos resumos demais, acreditamos demais em quem nos conta a história
Há pouco tempo para investigação, verdadeiro questionamento e aquisição de aprofundamento

Nossas canções precisam ser rápidas
Não são mais para o amor, a luta ou o vislumbre... São para os cifrões
Nossos toques não sentem mais a pele
Se encorajam no desperdício do tato sobre uma tela cristalina
Nossos destinos são forçados pelo mecanismo de busca
Nem mais sabemos estar perdidos, adestraram nossa pseudoliberdade
Com volúpia gritamos juntos, mas estamos tão separados
Nos tornamos inimigos, quando a causa, necessariamente, deveria ser a mesma

Já imaginou percorrer estradas sem rumo?
Afinal, quem é que decidiu que viver é pagar impostos até morrer?
Quem foi que falou que se calar diante do caos é maturidade?
Que estar dentro do “script” faz de você, VOCÊ?
Alguns dias a gente só precisa respirar
A natureza nos abraça, ainda que cansada dos violentos golpes que demos
Enquanto o universo todo funciona, estamos aqui, você e eu
Unidos nesse texto, repensando tudo, reavaliando sem muita coragem
.... Mas com voraz desejo!



Texto original em: http://www.recantodasletras.com.br/poesias/5616455

Imagem em: https://uivosdolobo.files.wordpress.com/2014/04/mountains-landscapes-nature-winter-snow.jpg

Ao som de: Reiki music (https://www.youtube.com/watch?v=iTA9fTBrI7o&t=1635s)

quinta-feira, 31 de março de 2016

ENTEN


(Everton Cinelli)

Luz, enfraquecida pelas cortinas
Paz, enfraquecida pelas distâncias
Um acorde maduro faz meu espírito reagir
Uma bela canção inundando minhas paredes
Lágrimas, apenas fogem de mim, abandonam-me
Meu ser se esvai em palavras mudas, sentenciadas
Tudo sobre mim, talvez não diga nada de mim
Coleções de adeuses adornam esse jardim, como flores

Dor que nutre todo o mundo de mundos
Alimenta a sede que sempre temos por desesperança
Deixe a luz apagada, não espante os sussurros
Olhos sobre a névoa, hinos silenciosos no despertar
Éramos jovens demais, e já era tarde demais
Corríamos pelos vales, atônitos, sedentos
Como uma valsa, cabelos ao vento... e sorrisos
Uma desfocada fotografia de tudo o que não se viu

Talvez anjos cruzassem nossos céus
Como saberíamos? Como acreditaríamos?
Pássaros ou naves... um pincel para colorir o firmamento
Tudo talvez fosse possível, mas aí, a vida acontece
Nos forçamos em nossos impulsos, como clemência
Adjacentes de nossos obtusos vernáculos
Numa infâmia episcopal de nossos delírios reais
Nosso Elísio, sempre estruturado pela solitude

O disco agoniza... notas em sacrifício da arte
A agulha lhe fere a carne, e ele reproduz a triste canção
Tão bela quando a imensidão vazia de nosso tempo
Vácuos como moradia, espaços-não-preenchidos como lar
Feche os olhos devagar
Na língua das estrelas, eles cantam para você
Quem sabe o vento lhe toque saudosamente a fronte?
Apenas não abra mão de voar... O ponteiro já lhe julgou!



Texto original em: http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdetristeza/5590816

Imagem em: http://wallpoper.com/images/00/44/72/54/lonely-winter_00447254.jpg

Ao som de: April Rain - A Melting Snowman (https://www.youtube.com/watch?v=yYvMB4x8anM&list=UUV-RyRTJZym-lksT9VG8E-g)
 

quinta-feira, 10 de março de 2016

Carpe Noctem


Carpe Noctem

Por: E. Cinelli
Postado originalmente em: http://www.recantodasletras.com.br/eroticos/5569605



A marcha da noite avançava pelas silenciosas vias lá fora
Dentro do quarto estávamos imersos em um abismo multicolorido
A luz tremeluzente se afogava nos desejos e nas intenções maliciosas
A escuridão nos cercava, e seus braços delicados nos guiavam numa dança
Dança de olhares, dança de pensamentos... Era o nosso momento
Seus olhos se escondiam na penumbra da pele não tocada
Como um anjo desnudo, seu passo estremeceu meu espírito
E cada vez mais perto, meu corpo todo respondia à sua presença

Meu sexo já se expunha intumescido, acrescido de vigor
E suas curvas delineavam o gozo ao qual cada molécula minha se dirigia
Cada parte sua me alimentava, e era como um despertar
Você foi chegando perto, e junto veio o cheiro e o timbre da carne
As almas se ligam antes dos corpos, era possível sentir você na minha pulsação
Seu toque subiu ao meu cérebro como uma colisão de mundos
Suas mãos subindo, delicadamente, por minhas pernas
Vagarosa e deliciosamente percorria o caminho da minha ereção

Seus olhos escondidos atrás dos fios dos seus cabelos
E suas mãos assanhadas encontram minha vigorosa oferta de amor
Você se entrega a um tipo de frenesi, e começa a se tocar
A ganância com que meu corpo quer o seu chega a ser assustadora
Seu corpo lindo é tocado pela fraca luz
Enquanto, num tipo de dança, você rebola como uma luz fractal
Assim, como um servo, me jogo ao chão pesadamente
Quero me alimentar da seiva que seu sexo produz

Assim, minha língua encontra suas pernas
E vou sentindo seu gosto a cada parte beijada e tocada
Um gosto peculiar de liberdade e selvageria
Suas mãos tomam minha cabeça, e eu satisfaço nossos desejos
Sentindo você na minha boca, como um alimento
E eu, me nutrindo de sua volúpia e de seu gozo
Como um elixir para nossos instintos mais primitivos 
Sinto como que, ao tocar você, eu também sou tocado
Suas mãos me levantam...

Vou levantando, sentindo sua úmida região tocar em mim
Chego a seus seios, e os tomo como um fruto 
Sentindo, beijando, chupando, enquanto minhas mãos te percorrem
Chego ao pescoço, e, ao tocar sua boca, divido com você o seu gosto
É um caleidoscópio de sensações, efervescência dos sentidos
Nossos corpos em aquiescente comunhão
Vou tocando você todinha, sentindo sua pele, suas curvas
Beijo e mordo toda você, numa rendição total ao tesão
Enquanto minhas mãos te possuem, seus lindos seios são minha diversão

Você delicadamente me afasta, e, descendo devagar, vai me beijando
Vou sentindo cada parte tocada e beijada, e a linda imagem de sua boca aventureira
Estremeço todo, enquanto suas mãos tomam o que te é ofertado, e você beija em volta
Uma imagem que deveria ser eternizada: sua nudez, sua beleza e sua entrega
Sinto sua língua encontrar minha vontade endurecida, velada na carne de meu corpo
Suas mãos e sua boca começam um trabalho exótico e lascivamente excitante
Você toca, lambe, chupa, geme, cospe, engole, volta a chupar e assim repetidamente
Agora, de forma quase mágica, põe todo ele em sua boca, sinto tocar fundo sua garganta
Você me olha com olhos perversos... E tira da boca

No desespero voluntário de te possuir, te trago para perto
O aroma de nosso rito toma todo ambiente, nos beijamos em meio ao frenesi
Deito você, e novamente ofereço o melhor de mim entre suas pernas, minha boca te engole gota a gota
E seu corpo convidativamente se abre para mim, meu desejo ínsito me toma
Chego mais perto, seu ardor pode ser sentido, como um alimento eu recebo
Minha carne encontra sua carne, e pouco a pouco estou dentro de você
Nos entregamos completamente... Como é delicioso te sentir assim
Estou por cima de você, embaixo de você, do lado... Você rebolando sobre mim 
E assim seguimos, nessa fricção carnal

Você decididamente se levanta, fica de quatro na minha frente
É uma visão paradisíaca, difícil de ser retratada, uma forma tão maravilhosa de existir
Estamos tomados por tesão e fúria, nossas mentes envolvidas pelo prazer
Do modo grego, beijo você... Você me ordena com furor, e eu me levanto
Entro pouco a pouco por trás, vendo seu corpo todo se contorcer
Essas marcas em você, como hieróglifos, com uma mensagem de sedução
Sou atraído compulsivamente, e te tomo com força desmedida
Assim nos sentimos, cada vez que entro, seu corpo me responde
A dor te é como um canal, por onde semeia e colhe seu orgasmo

A noite vai seguindo sua marcha, e nós, em nosso ritual, nos amamos
Corpos suados, toques violentos: arranhões e tapas... É a fome do outro que nos move
Estou em você, entrando forte, tomando você por trás, você se empina mais
É uma orquestração de movimentos, uma simbiose prazerosa
O ritmo aumenta, estamos em nosso ápice, sinto que você treme toda
Seguro mais forte, você me pede mais, eu dou... E você traz até minha boca o seu gosto
Suas mãos, que antes estavam a tocar você mesma, agora me presenteiam com seu gosto de exultação
Terrivelmente gostoso... Meu corpo já dá sinais, e você os sente

Você se ajoelha a minha frente, como uma serva de si mesma
Toma em suas mãos, e põe em sua boca, a minha oferta de amor
Chupa, suga, e me olha com esse olhar de devoção
Assim, como uma supernova, me sinto explodir!
Você fecha os olhos e me bebe por completo
Não deixa nada escapar, tenho a sensação de esvair-me todo em você
Você não o solta, até ter certeza que tudo de mim está em você
Deliciosamente, me libera, se levanta e me beija, como num último dia de vida

Assim, suprimos nossa essência
E vivemos mais um dia... 
Um delicioso dia!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ADAMU

"Talvez aqui, outrora amanhã
Significados são descobertos
Nossas almas, intrépidas, lutaram cegas
Guiadas por mil palavras e por verdade dirigida
Nós mesmos acreditamos
Mas nossas canções desconfiam
Repetimos para o convencimento
Mas o buraco persiste

Interdimensionalidade-multidimensionalidade fractual
Aquiescência muda, mas competente
Bandeiras bruxuleando no horizonte sombrio
Brilhos no céu, nos confundem entre bombas e fogos de artifício
Sorrisos nos agarram em suas redes-de-pesca
Somos intencionalmente banidos de nós
Perambulando por cenários meticulosamente formulados
Fé baldia, num mundo onde, claramente, somos hóspedes

Não bastava toda mentira que nos contam
A imersão diária na mentira que somos
Pleiteando e esmolando futuros e belos amanhãs
Estamos correndo, lutando o tempo todo... E por quê?
Guerras inventadas, preconceito como brasão
A problemática aceitação da eugenia etno-poética-ideológica-pseudo-afirmativa
Roteirizaram a extinção de todos nós
Afinal, não estamos sós, se de mão dadas, caminharmos pro abismo"

Texto: ADAMU
Autor: Everton Cinelli
Link: http://www.recantodasletras.com.br/poesias/5527535