quinta-feira, 31 de março de 2016

ENTEN


(Everton Cinelli)

Luz, enfraquecida pelas cortinas
Paz, enfraquecida pelas distâncias
Um acorde maduro faz meu espírito reagir
Uma bela canção inundando minhas paredes
Lágrimas, apenas fogem de mim, abandonam-me
Meu ser se esvai em palavras mudas, sentenciadas
Tudo sobre mim, talvez não diga nada de mim
Coleções de adeuses adornam esse jardim, como flores

Dor que nutre todo o mundo de mundos
Alimenta a sede que sempre temos por desesperança
Deixe a luz apagada, não espante os sussurros
Olhos sobre a névoa, hinos silenciosos no despertar
Éramos jovens demais, e já era tarde demais
Corríamos pelos vales, atônitos, sedentos
Como uma valsa, cabelos ao vento... e sorrisos
Uma desfocada fotografia de tudo o que não se viu

Talvez anjos cruzassem nossos céus
Como saberíamos? Como acreditaríamos?
Pássaros ou naves... um pincel para colorir o firmamento
Tudo talvez fosse possível, mas aí, a vida acontece
Nos forçamos em nossos impulsos, como clemência
Adjacentes de nossos obtusos vernáculos
Numa infâmia episcopal de nossos delírios reais
Nosso Elísio, sempre estruturado pela solitude

O disco agoniza... notas em sacrifício da arte
A agulha lhe fere a carne, e ele reproduz a triste canção
Tão bela quando a imensidão vazia de nosso tempo
Vácuos como moradia, espaços-não-preenchidos como lar
Feche os olhos devagar
Na língua das estrelas, eles cantam para você
Quem sabe o vento lhe toque saudosamente a fronte?
Apenas não abra mão de voar... O ponteiro já lhe julgou!



Texto original em: http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdetristeza/5590816

Imagem em: http://wallpoper.com/images/00/44/72/54/lonely-winter_00447254.jpg

Ao som de: April Rain - A Melting Snowman (https://www.youtube.com/watch?v=yYvMB4x8anM&list=UUV-RyRTJZym-lksT9VG8E-g)
 

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